O que se pega dos cachorros: zoonoses, sintomas e prevenção

By admin
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Em resumo: o que se pode pegar de um cachorro

  • Os cães podem transmitir várias doenças (as zoonoses), mas o risco é baixo se o animal for saudável, vacinado e vermifugado com regularidade.
  • As mais perigosas são a raiva (100% fatal sem tratamento), a equinococose e a leptospirose; as mais comuns, a toxocaríase, a micose (dermatofitose) e a sarna.
  • A principal proteção é a higiene (lavar as mãos após o contato), vacinar o cão (raiva, leptospirose) e vermifugar e tratar contra parasitas com regularidade.
  • Evite o contato com animais de rua doentes; após a mordida de um cão desconhecido, procure um médico imediatamente.

Zoonoses são doenças comuns a pessoas e animais. Algumas causam só desconforto, outras podem afetar gravemente o organismo e até ser fatais. A lista é longa, por isso os cães costumam ser culpados por toda infecção possível. Na verdade, a maioria é fácil de evitar — basta saber como se transmitem e seguir algumas regras simples.

A seguir, as principais doenças que uma pessoa pode pegar de um cão, com sintomas e prevenção.

Um cão saudável e bem cuidado — a base de uma família segura

Resumo: doenças transmitidas pelos cães

Doença Agente Como chega ao humano Prevenção
Toxocaríase nematódeo Toxocara canis fezes, pelo, solo contaminado higiene, vermifugar o cão
Equinococose tênias Echinococcus engolir ovos das fezes/urina lavar as mãos, higiene
Giardíase protozoários Giardia contato com fezes higiene, água limpa
Leptospirose bactérias Leptospira urina do animal pela pele/mucosas vacinar o cão, higiene
Demodicose ácaros Demodex contato próximo (raro em humanos) limitar o contato com animal doente
Sarna (sarcóptica) ácaros Sarcoptes contato direto, objetos, roupas higiene, lavagem em água quente
Micose (dermatofitose) fungos Microsporum, Trichophyton contato direto com pele/pelo checar a pele do cão, evitar animais infectados
Raiva vírus da raiva mordida ou saliva em ferida vacinar o cão; médico após mordida

Toxocaríase

Doença parasitária causada pelo nematódeo Toxocara canis (verme do cão). O contágio ocorre pelo contato com fezes do cão que contêm os ovos, ou com o pelo do animal — os ovos são pegajosos e grudam nos fios. Outra fonte é o solo contaminado, onde os ovos permanecem viáveis por anos.

Sintomas em humanos: as larvas podem se alojar no fígado, baço, rins ou até no cérebro; são possíveis febre, erupção, dor abdominal e de cabeça, e o acometimento ocular pode prejudicar a visão.

Prevenção: higiene e lavagem das mãos; vermifugação regular do cão (a primeira por volta das 2 semanas, conforme orientação do veterinário).

Equinococose

Doença parasitária causada pelas tênias Echinococcus granulosus ou Echinococcus multilocularis. A pessoa se contamina ao engolir ovos presentes nas fezes e na urina dos cães. No organismo, as larvas se alojam em órgãos internos e formam cistos.

Sintomas em humanos: pode ficar anos sem sintomas enquanto o cisto cresce. Depois, os sinais dependem do local: fígado — icterícia; rins — insuficiência, sangue na urina; pulmões — falta de ar, tosse, hemoptise; cérebro — distúrbios neurológicos.

Prevenção: higiene pessoal, lavagem frequente das mãos, lavar em água quente os objetos que tiveram contato com o cão.

Giardíase

Doença parasitária causada pelo protozoário Giardia intestinalis. Afeta sobretudo animais jovens e se manifesta com diarreia de secreção pardo-esverdeada e vômitos. As pessoas se contaminam pelo contato com fezes ou água contaminada.

Sintomas em humanos: lembram uma intoxicação alimentar: falta de apetite, náusea, diarreia e às vezes febre.

Prevenção: higiene pessoal, lavagem das mãos e água limpa.

Leptospirose

Doença bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira (ex.: L. canicola, L. interrogans). O contágio ocorre pelo contato com a urina de um animal infectado — as bactérias entram pela pele lesada e pelas mucosas.

Sintomas em humanos: dependem do órgão afetado: rins — vômitos, sede intensa, diarreia com sangue; fígado — icterícia infecciosa; possíveis febre e dores musculares.

Prevenção: vacinação dos cães; higiene pessoal e evitar água parada que possa conter urina de animais.

Demodicose

Doença de pele causada pelos ácaros Demodex, que vivem nos folículos pilosos e nas glândulas sebáceas. No cão, liga-se sobretudo à imunidade baixa; para o humano o contágio é pequeno, pois temos nossas próprias espécies de ácaros.

Sintomas em humanos: vermelhidão local, pústulas e áreas de queda de pelo.

Prevenção: limitar o contato com o animal doente, higiene, fortalecer a imunidade.

Sarna (sarcóptica)

Doença causada pelos ácaros da sarna Sarcoptes. Cães afetados têm coceira intensa e queda localizada de pelo. O ácaro passa para a pessoa por contato direto e por objetos e roupas.

Sintomas em humanos: uma erupção com coceira intensa; em pessoas alérgicas, fácil de confundir com reação alérgica.

Prevenção: contato limitado com o animal doente, higiene, lavagem dos objetos em água quente.

Micose (dermatofitose)

Infecção fúngica da pele causada por Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton, que se alimentam da queratina da pele, dos pelos e das unhas. A pessoa se contamina por contato direto com um animal infectado ou seu pelo.

Sintomas em humanos: vermelhidão da pele, coceira, pápulas e vesículas com crostas amareladas; unhas e couro cabeludo também podem ser afetados.

Prevenção: observar a pele do cão, tratar o animal a tempo, evitar contato com animais infectados.

Raiva

Infecção viral aguda que ataca o sistema nervoso central e, sem tratamento a tempo, é 100% fatal. A pessoa se contamina pela mordida de um animal infectado ou pela saliva em pele lesada. Um animal doente pode ficar medroso ou irritado, ter surtos de agressividade, comer objetos não comestíveis, latir rouco, ter convulsões, dificuldade para engolir, andar cambaleante e hidrofobia; a forma «muda» leva à paralisia.

Sintomas em humanos: primeiro mal-estar geral, depois ansiedade, espasmos dos músculos da garganta, hidrofobia e paralisias. Após surgirem os sintomas a doença é incurável, então é preciso agir ANTES.

Prevenção: vacinação antirrábica obrigatória do cão. Após mordida ou contato com saliva de animal desconhecido, lave logo o ferimento e procure um médico imediatamente para a vacinação pós-exposição.

Perguntas frequentes (FAQ)

Dá mesmo para pegar doença de cachorro?
Sim — existem várias zoonoses (doenças comuns a pessoas e animais). Mas o risco, com um cão saudável, vacinado e vermifugado e higiene comum, é baixo.

Quais doenças transmitidas por cães são as mais perigosas?
A mais grave é a raiva: sem vacinação a tempo, é 100% fatal. Também são perigosas a equinococose (cistos em órgãos) e a leptospirose.

Como me proteger das doenças que os cães podem transmitir?
Lave as mãos após o contato, vermifugue e vacine o cão com regularidade (raiva, leptospirose), trate-o contra parasitas, recolha as fezes e evite o contato com animais de rua doentes.

É seguro beijar o cão ou dormir com ele na cama?
Com um cão saudável e bem cuidado o risco é pequeno, mas pela saliva e pelo pelo podem passar parasitas e fungos. Mantenha a higiene e limite o contato próximo com o focinho, sobretudo em crianças e pessoas com imunidade baixa.

O que fazer após a mordida de um cão desconhecido?
Lave logo o ferimento com água e sabão e procure um médico imediatamente — pelo risco de raiva, pode ser necessária vacinação pós-exposição. Não demore.

Embora a lista de zoonoses seja longa e os sintomas muitas vezes discretos, a maioria pode ser evitada. A prevenção, a reação rápida aos sinais de doença e o tratamento correto protegem a saúde sua e do seu pet — e tornam a convivência confortável e segura.

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