O Scottish Terrier (Scottie) é um verdadeiro cavalheiro do mundo canino: contido, autoconfiante e cheio de dignidade. Apesar de seu tamanho pequeno, este cão tem o caráter de um grande guerreiro, que herdou de seus ancestrais caçadores. Hoje, o Scottie atua principalmente como companheiro, embora suas qualidades de trabalho não tenham se perdido até hoje. Esta raça possui uma combinação única de características que a tornam ideal para alguns donos e completamente inadequada para outros. Saiba mais sobre isso em Tvaryny.
Esses cães são especialmente adequados para casais jovens sem filhos ou para famílias com crianças já crescidas, que entendem a necessidade de tratar o animal com respeito. Os terriers escoceses não gostam muito de brincadeiras infantis barulhentas e exigem um tratamento respeitoso. Ao mesmo tempo, os terriers escoceses se tornam excelentes companheiros para pessoas idosas e ocupadas. Embora adorem longas caminhadas e brincadeiras, são capazes de ficar calmamente em casa o dia todo, esperando o dono. E, geralmente, móveis e objetos da casa não sofrem com isso. Além disso, ele é um excelente cão de guarda, que sempre avisa a tempo com seu latido alto sobre a aproximação de estranhos.
Características principais da raça Scottish Terrier

| Origem | Grã-Bretanha (Escócia) |
| Ano de reconhecimento da raça | 1882 |
| Expectativa de vida | 12-15 anos |
| Altura na cernelha | 25-28 cm |
| Peso | 8,5-10,5 kg |
| Grupo FCI | Grupo 3 (Terriers), Seção 2 (Pequenos terriers) |
| Temperamento | Independente, confiante, corajoso, leal, inteligente |
| Necessidade de exercícios | Moderada (caminhadas diárias) |
| Disposição para treinamento | Moderada (exige paciência devido à teimosia) |
| Cuidados com a pelagem | Elevados (exige trimming e escovação regulares) |
| Relação com crianças | Reservado, melhor para famílias com crianças mais velhas |
| Relação com outros animais | Pode ser conflituoso, requer socialização precoce |
História da raça Scottish Terrier

A história do Scottish Terrier remonta a séculos e está intimamente ligada às paisagens rudes e pitorescas das Terras Altas da Escócia. As primeiras menções a pequenos terriers de pelo duro dessa região datam do século XVI. Esses cães, então chamados genericamente de “cães de terra” (earth dogges), eram usados para caçar pequenos animais que viviam em tocas: raposas, texugos, lontras e roedores. Seu tamanho compacto, mandíbulas fortes e bravura incrível lhes permitiam penetrar em túneis subterrâneos e lutar destemidamente contra adversários que muitas vezes eram maiores que eles.
Por muito tempo, houve confusão na classificação dos terriers escoceses. Sob o nome genérico de “terrier escocês”, várias raças diferentes eram agrupadas, incluindo os ancestrais do moderno Skye Terrier, Cairn Terrier e West Highland White Terrier. Todos eles vinham da mesma região e tinham uma função semelhante. Somente na segunda metade do século XIX, os cinologistas começaram a trabalhar especificamente para separar esses tipos em raças distintas. O centro de criação do Scottish Terrier “puro” tornou-se a cidade de Aberdeen, razão pela qual a raça foi chamada por um tempo de terrier de Aberdeen.
Uma figura-chave no desenvolvimento da raça foi o Capitão Gordon Murray, que nos anos 1870 apresentou seus cães em uma exposição na Inglaterra. Em 1879, os Scottish Terriers participaram pela primeira vez de uma exposição oficial, e já em 1882, o primeiro clube de entusiastas da raça foi criado e seu padrão oficial foi desenvolvido. Isso marcou o ponto de partida para o crescimento da popularidade do Scottie em todo o mundo. Sua aparência única e seu caráter vibrante atraíram não apenas caçadores, mas também a aristocracia e a boemia. O 32º presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, desempenhou um papel especial na popularização da raça, cujo animal de estimação, um Scotch Terrier chamado Fala, se tornou uma verdadeira celebridade nacional.
Como é o Scottish Terrier: padrão da raça

O Scottish Terrier é um cão cuja aparência é impossível de confundir com a de outra raça. Ele dá a impressão de ser um cão grande em um corpo pequeno: atarracado, de pernas curtas, com uma cabeça desproporcionalmente longa e um olhar expressivo por baixo de sobrancelhas espessas.
- Cabeça: Longa, mas proporcional ao tamanho do cão. O crânio é plano, a transição da testa para o focinho é pouco visível. O focinho é forte, profundo e bem preenchido sob os olhos. A trufa é grande, obrigatoriamente preta. Uma característica distintiva são os “bigodes” e “barba” espessos, que dão ao focinho uma expressão séria e determinada.
- Olhos: Amendoados, castanho-escuros, quase pretos. Profundamente encaixados e bem espaçados. O olhar é inteligente, penetrante e corajoso.
- Orelhas: Pequenas, delicadas, eretas, pontiagudas nas extremidades. Inseridas altas no crânio. Dão ao cão uma aparência constantemente alerta.
- Corpo: Compacto e musculoso. O pescoço é de comprimento médio, musculoso. O peito é largo e profundo, bem descido entre os membros anteriores. O dorso é curto, reto e forte.
- Membros: Curtos, fortes e ossudos. As patas dianteiras são maiores que as traseiras, o que é uma adaptação para a escavação.
- Cauda: De comprimento médio (cerca de 18 cm), grossa na base e afinando para a ponta. O cão a mantém verticalmente ou com uma pequena curvatura. A cauda nunca é cortada.
O pelo do Scottie é duplo: um pelo de cobertura duro, arame e denso, e um subpelo curto, macio e denso. Essa “armadura” protege o cão de forma confiável contra o mau tempo e as mordidas de animais. No corpo, o pelo é mais curto, enquanto nas patas, na parte inferior do corpo e no focinho, forma uma longa “saia”, “bigodes” e “barba”.
| Cor | Descrição |
|---|---|
| Preto | A cor mais comum e clássica. Um preto intenso sem misturas. |
| Tigrado (Brindle) | Mistura de pelos pretos, cinzas, prateados e ruivos, que cria um efeito listrado ou mesclado. Pode ter diferentes tons, de claro a escuro. |
| Trigo (Wheaten) | Tons que variam do creme claro ao ruivo intenso. É uma cor recessiva, por isso é mais rara. |
Caráter: temperamento e comportamento do Scotch Terrier

O caráter do Scottish Terrier é uma combinação única de traços, frequentemente descrita pela frase “Diehard” (“O obstinado”). É um cão com um enorme senso de dignidade, independente e, às vezes, teimoso. Ele não vai ficar te implorando com os olhos, esperando aprovação. O Scottie sabe seu valor e exige respeito. Ao mesmo tempo, por trás dessa contenção exterior se esconde um coração de lealdade infinita. Ele se apega profundamente à sua família, embora possa não demonstrá-lo com emoções turbulentas. Seu amor se manifesta em seguir silenciosamente o dono de cômodo em cômodo e em estar pronto para defendê-lo a qualquer momento.
O Scotch Terrier trata estranhos com suspeita e cautela. Ele não é agressivo sem motivo, mas também não se apressará em fazer amizade com a primeira pessoa que encontrar. Isso o torna um excelente cão de guarda, que sempre alertará sobre a chegada de convidados. Seu passado de caça deixou uma forte marca em seu comportamento: o Scottie tem um instinto de perseguição muito desenvolvido. Qualquer animal pequeno — gato, esquilo, ouriço — é percebido como uma presa potencial. É por isso que, em passeios em áreas não cercadas, ele deve ser mantido na coleira. Os instintos do terrier o forçam a perseguir a presa e, nesse impulso, ele pode não ouvir os comandos do dono. Ao contrário de raças de caça como o Sabueso Suíço, que trabalham em estreito contato com as pessoas, o terrier, ao se empolgar com a perseguição, pode ignorar os comandos.
As relações com outros cães podem ser complicadas. O Scottish Terrier é propenso à dominação e não tolerará desrespeito de outros cães, mesmo que sejam significativamente maiores. Ele nunca começa uma briga, mas está sempre pronto para aceitar um desafio. A socialização precoce e correta é extremamente importante para a formação de um comportamento adequado. Apesar de sua seriedade, o Scottie pode ser brincalhão e engraçado, especialmente quando jovem. Ele gosta de jogos, mas não de agitação interminável. Ele precisa de estimulação intelectual, então brinquedos quebra-cabeça serão uma ótima escolha. Comparado a outros terriers, como o mais sociável Sealyham Terrier, o Scottie parece mais independente e autossuficiente.
Prós e contras da raça Scottish Terrier

| Prós (+) | Contras (-) |
|---|---|
| Lealdade à família. Cria um vínculo forte com o dono. | Teimosia e independência. Pode ser difícil de treinar. |
| Excelente cão de guarda. Sempre alerta para o perigo. | Altas exigências de cuidados com a pelagem. Requer trimming profissional. |
| Adaptabilidade. Se sente bem tanto em apartamento quanto em casa. | Forte instinto de caça. Pode perseguir pequenos animais. |
| Tamanho compacto. Conveniente para a vida urbana. | Propensão à dominação. Pode ser conflituoso com outros cães. |
| Baixo nível de queda de pelos. Com os cuidados certos, quase não solta pelos. | Não é a melhor escolha para famílias com crianças pequenas. Não gosta de familiaridade. |
| Coragem. Um defensor destemido, apesar do tamanho. | Propensão a latir. Pode ser “tagarela”. |
Saúde: doenças típicas e prevenção

Os Scottish Terriers são geralmente uma raça forte e resistente com boa imunidade. Com os cuidados adequados, eles podem viver uma vida longa e feliz. No entanto, como muitos outros cães de raça pura, eles têm uma predisposição para certas doenças genéticas. É importante conhecer esses riscos para reconhecer os sintomas a tempo e procurar um veterinário.
- Cãibras do Scottie (Scottie Cramp): É uma doença específica da raça que se manifesta na forma de espasmos musculares durante o estresse ou grande excitação. O cão pode arquear as costas, encolher as patas, e sua marcha fica rígida. É importante saber que essa condição não causa dor e não é epilepsia. A crise passa sozinha quando o cão se acalma. O tratamento geralmente não é necessário, basta evitar perturbações emocionais excessivas.
- Doença de von Willebrand: Uma doença hereditária relacionada a um distúrbio da coagulação sanguínea. Os sintomas incluem sangramentos nasais frequentes, sangramento nas gengivas e hemorragia prolongada após lesões ou cirurgias. Recomenda-se fazer um teste para esta doença antes de qualquer intervenção cirúrgica.
- Osteopatia Craniomandibular (OCM ou “Mandíbula de Leão”): Uma doença que se manifesta em filhotes com idades entre 3 e 6 meses. É caracterizada pelo crescimento ósseo anormal na mandíbula inferior e no crânio, que causa dor ao mastigar e abrir a boca. O processo geralmente para depois que o cão atinge a maturidade. O tratamento é sintomático, visando aliviar a dor.
- Alergias: Scotties são propensos a alergias de pele (atópicas), que podem ser causadas por alimentos, pólen de plantas ou produtos químicos domésticos. Elas se manifestam na forma de coceira, vermelhidão da pele e queda de pelos. É importante escolher uma dieta e cuidados adequados.
- Doenças oncológicas: Infelizmente, os Scottish Terriers têm um risco aumentado de desenvolver alguns tipos de câncer, especialmente o câncer de bexiga (carcinoma de células de transição). É importante monitorar quaisquer mudanças na micção e fazer exames preventivos regulares com o veterinário, especialmente na velhice.
A prevenção de doenças consiste em exames veterinários regulares, vacinação oportuna, dieta equilibrada, exercícios físicos suficientes e a escolha responsável de um filhote de criadores confiáveis que testam seus cães para doenças genéticas.
Como cuidar da pelagem de um Scottish Terrier

O cuidado com a pelagem do Scottish Terrier é o aspecto mais difícil de se manter desta raça, exigindo tempo, esforço e investimento financeiro. Seu pelo duro não cai no sentido usual, mas requer procedimentos regulares para manter um estado saudável e a aparência da raça.
Procedimentos de cuidado básicos:
- Escovação: 2 a 3 vezes por semana, o pelo deve ser cuidadosamente escovado com um pente e uma escova de metal. Isso ajuda a remover pelos mortos, prevenir a formação de nós (especialmente na “saia” e na “barba”) e estimula a circulação sanguínea da pele.
- Trimming (Stripping): É o procedimento de arrancar manualmente o pelo de cobertura morto. É o trimming que permite manter a estrutura dura e correta da pelagem e sua cor intensa. É realizado 2 a 4 vezes por ano. É melhor confiar este procedimento a um tosador profissional que conheça as especificidades da raça.
- Tosa com máquina: Muitas vezes, os donos que não participam de exposições optam pela tosa com máquina como alternativa ao trimming. É mais simples e barato. No entanto, é importante saber que após a tosa o pelo perde sua dureza, fica mais macio, pode mudar de cor (por exemplo, o preto fica acinzentado) e perde suas propriedades protetoras.
- Banho: O Scottie deve ser banhado conforme a necessidade, geralmente não mais do que uma vez por mês ou quando estiver muito sujo. Use apenas shampoos especiais para cães de pelo duro. Após a caminhada, basta lavar as patas e a “barba”.
- Cuidado com a “barba”: Após cada refeição, a “barba” e os “bigodes” devem ser limpos com um pano úmido ou lavados para evitar restos de comida e mau cheiro.
Além dos cuidados com o pelo, não se esqueça de cortar as unhas regularmente (1 a 2 vezes por mês), limpar as orelhas e os olhos. Também é importante monitorar a higiene bucal para prevenir a formação de tártaro.
Treinamento e socialização

O treinamento do Scottish Terrier é um desafio que exige paciência, consistência e senso de humor do dono. Eles são cães muito inteligentes que aprendem comandos rapidamente, mas sua teimosia e independência inatas muitas vezes os levam a se perguntar: “Por que eu deveria fazer isso?”.
Princípios-chave para educar um Scottie:
- Comece cedo: A socialização e a educação básica do filhote devem começar nos primeiros dias em sua nova casa. Apresente-o a diferentes pessoas, sons, lugares e cães calmos.
- Seja o líder: O Scottie deve entender claramente quem é o líder da casa. Estabeleça regras e limites claros e nunca permita que o filhote faça algo que será proibido para um cão adulto.
- Use reforço positivo: A grosseria, os gritos e as punições físicas são absolutamente inaceitáveis. Os Scotties são muito sensíveis e ressentidos. O método de reforço positivo – elogios, petiscos, brinquedos – dá os melhores resultados.
- Os treinos devem ser curtos e interessantes: A repetição monótona de comandos rapidamente entediará o terrier. Faça as sessões curtas (10-15 minutos) e variadas.
- Lidando com os latidos: Scotties são propensos a latir, então ensine-os o comando “Quieto!” desde cedo.
- Acostumando com a coleira: Devido ao seu forte instinto de caça, soltar o scotch terrier da coleira só é seguro em uma área bem cercada. Diferente de raças de caça, como o Sabueso Suíço, que trabalham em contato próximo com o humano, o terrier, ao se empolgar com a perseguição, pode ignorar os comandos.
Alimentação: recomendações-chave

Uma alimentação correta é a chave para a saúde e longevidade do Scottish Terrier. Devido à sua propensão a alergias, a escolha da dieta deve ser feita com muita atenção. Existem duas abordagens principais para a alimentação: rações secas prontas e alimentação natural.
Ração seca: É a opção mais simples e equilibrada. Escolha rações de classe premium ou super premium para cães de raças pequenas, de preferência com uma composição hipoalergênica (por exemplo, com cordeiro, peru, peixe). Evite rações que contenham frango, milho, soja e trigo, pois esses ingredientes são os que mais frequentemente causam alergias.
Alimentação natural: Esta opção exige mais tempo e conhecimento. A base da dieta deve ser carne magra (peru, coelho, carne bovina) e miúdos. A dieta também pode incluir:
- Cereais (arroz, trigo-sarraceno).
- Legumes (cenoura, abóbora, abobrinha, brócolis).
- Produtos lácteos fermentados (iogurte natural sem gordura, queijo cottage).
- Peixe de mar (uma vez por semana, sem espinhas).
É estritamente proibido dar ao cão:
- Chocolate e doces.
- Produtos defumados, salgados, gordurosos e fritos.
- Ossos tubulares.
- Cebola e alho.
- Uvas e passas.
Se o cão tiver propensão a alergias, introduza qualquer novo produto na dieta gradualmente, em pequenas porções, e observe a reação do organismo por vários dias. Sempre garanta que o cão tenha acesso a água potável fresca.
Fatos interessantes sobre a raça

- O símbolo do “Monopoly”: A figura do cão no mundialmente famoso jogo de tabuleiro “Monopoly” é de um Scottish Terrier.
- Os queridinhos dos presidentes: Além do Fala de Roosevelt, os scotch terriers viveram na Casa Branca com Dwight D. Eisenhower e George W. Bush Jr.
- “Diehard”: A raça recebeu o apelido de “O Obstinado” do Conde de Dumbarton no século XVII por sua incrível coragem e resistência.
- Scottie no cinema: Um Scottish Terrier chamado Jock é um dos personagens principais do filme de animação da Disney “A Dama e o Vagabundo”.
- Cor rara: A cor de trigo é a mais rara, pois o gene responsável por ela é recessivo.
Perguntas frequentes sobre a raça (FAQ)

Os Scottish Terriers soltam muito pelo?
Com os cuidados certos (trimming regular), os Scotties quase não soltam pelo. Se forem tosados com máquina, a queda de pelo pode ser mais perceptível, pois a estrutura da pelagem é alterada.
Eles são adequados para famílias com crianças?
Os Scotties podem conviver com crianças se crescerem juntos. No entanto, eles não toleram tratamento rude e familiaridade excessiva. Por isso, são recomendados para famílias com crianças mais velhas e sensatas, que sabem como se comportar com um cão.
É possível ter um Scotch Terrier em um apartamento?
Sim, graças ao seu tamanho compacto e necessidades moderadas de exercício, eles se adaptam perfeitamente à vida em apartamento, desde que tenham caminhadas diárias.
De quanto exercício eles precisam?
Eles não precisam de maratonas. Duas caminhadas diárias de 30-40 minutos com a oportunidade de correr e brincar são suficientes. A regularidade é mais importante do que a duração.
Eles são fáceis de treinar?
Não, esta não é a raça mais fácil de treinar devido à sua teimosia. Eles precisam de um dono paciente, consistente e engenhoso que possa interessar o cão, em vez de forçá-lo.
