| Altura | 48–57 cm |
| Peso | 20–30 kg |
| Expectativa de vida | 12–14 anos |
| Grupo FCI | não reconhecida pela FCI (tipo espanhol) |
| Origem | Espanha (Navarra) |
Notas exatas
- Uma raça de trabalho robusta no geral
- Displasia de quadril
- Otites (orelhas caídas)
- Torção gástrica (peito profundo)
- Acervo genético limitado (raça recuperada)
Ração equilibrada para um cão de aponte ativo e controle de peso; alimentar em porções pequenas (risco de torção pelo peito profundo). Inspecionar regularmente as orelhas caídas; oferecer trabalho de faro e exercício.
O Pachón Navarro (Navarrese Pointer) não é apenas mais um cão de caça qualquer. Ele é um ancestral lendário de muitos apontadores modernos e manteve sua identidade única através dos séculos. Sua aparência pode parecer um pouco estranha e seu jeito de trabalhar meio “antigo”, mas é exatamente aí que está o seu valor. Esse cachorro é a definição de eficiência, resistência e uma conexão incrível com o dono. Saiba mais na Tvaryny.
História da origem da raça e seu renascimento
As raízes do Pachón Navarro vão longe, chegando até a profunda Idade Média. Acredita-se que essa raça desce direto dos antigos Pointers Espanhóis (Old Spanish Pointer) que já viviam na Península Ibérica lá pelo século XII. O Pachón Navarro foi o fiel escudeiro de reis e nobres do Reino de Navarra, ajudando na caça de aves, lebres e até animais maiores.
Documentos históricos e pinturas da época mostram frequentemente cães parecidos com o Pachón moderno: robustos, parrudos e com aquela cabeça característica. Eles serviram de base genética para muitas raças europeias, incluindo o famoso Pointer Inglês. Porém, com a chegada das armas de fogo e a mudança no estilo de caça, esses cães lentos, mas extremamente minuciosos, começaram a perder espaço para raças mais velozes.
Em meados do século XX, a raça ficou por um fio de desaparecer completamente. Entusiastas e cinólogos espanhóis, percebendo o risco de perder esse patrimônio nacional, iniciaram um programa de recuperação (“Recuperación”). Nos anos 70, foi feito um trabalho colossal para encontrar exemplares sobreviventes em aldeias remotas de Navarra e do País Basco. Graças a esse esforço, o Pachón Navarro foi salvo, embora ainda seja uma raça rara.
Anatomia única: as características do nariz

O traço mais marcante que destaca o Pachón Navarro entre centenas de outras raças é o famoso “nariz duplo” (ou nariz bífido). É uma característica anatômica onde o nariz é dividido por um sulco vertical profundo, dando a impressão de duas narinas separadas que vivem suas próprias vidas.
- Estética ou função? Por muito tempo, acreditou-se que esse nariz melhorava o olfato do cão (“dois narizes são melhores que um”). Pesquisas modernas não confirmam com certeza que isso aumente muito o faro, mas os caçadores garantem: o olfato do Pachón Navarro é fenomenal.
- Natureza genética. Essa característica é hereditária, mas nem todos os cães da raça nascem com essa divisão tão marcada. O padrão aceita ambas as versões, embora o tipo tradicional “Double Nose” seja valorizado como uma peculiaridade histórica.
- Saúde. É importante não confundir isso com “fenda palatina” (lábio leporino). Em um Pachón Navarro saudável, apenas a ponta do nariz é dividida, o que não atrapalha em nada a respiração ou a alimentação.
Padrão da raça

É um cão de porte médio a grande, do tipo bracoide. Seu corpo transmite força e resistência, não velocidade. Ele é retangular, massivo, com peito largo e ossos fortes. É um verdadeiro “trator” entre os cães de aponte, feito para vasculhar matagais difíceis por horas a fio.
| Característica | Descrição do padrão |
|---|---|
| Peso | Machos: 27-35 kg; Fêmeas: 22-30 kg |
| Altura na cernelha | Machos: 55-64 cm; Fêmeas: 53-60 cm |
| Cabeça | Grande, quadrada, com crânio largo. Focinho curto e reto. Lábios grossos e levemente caídos. |
| Olhos | Grandes, castanhos ou cor de âmbar, com expressão calma e inteligente. |
| Pelagem | Curta, dura ao toque, densa. Pele grossa e solta. |
| Cor | Variada: branco com laranja, marrom, fígado, preto; tricolor; unicolor. |
A pele do Pachón Navarro é bem elástica e solta, formando uma barbela no pescoço. Isso não é defeito, é proteção: em matas fechadas e cheias de espinhos, essa pele solta sofre menos lesões, permitindo que o cachorro entre onde outras raças desistiriam.
Qualidades de caça e estilo de trabalho

O Pachón Navarro é um caçador “old school”. Se você está acostumado com a correria dos Pointers ou Setters, vai achar o trabalho do Pachón quase uma meditação. Ele se move num trote característico, checando o terreno com cuidado. Esse cão trabalha bem perto do caçador, raramente se afastando mais de 50 ou 100 metros. Esse estilo é perfeito para terrenos difíceis, onde é fácil perder o cachorro de vista.
Sua principal arma é a inteligência. O Pachón não corre à toa. Ele analisa o vento, o terreno e o comportamento da caça. Sua “amostra” (o ato de apontar a caça) é firme e segura, sem teatro. Ele simplesmente aponta onde está a presa com todo o corpo. Além disso, é um ótimo “retriever”. Graças à sua “boca macia” (soft mouth), ele traz a ave abatida sem estragá-la.
Temperamento e comportamento em família
Fora da caça, o Pachón Navarro vira um exemplo de calma e equilíbrio. Não é aquele cachorro que vai destruir seu apartamento se você pular um passeio. Eles são muito apegados às pessoas e gostam de toda a família, mas geralmente escolhem um “líder” a quem obedecem cegamente.
É interessante comparar a vocalização deles com outras raças primitivas. Enquanto o Cão Cantor da Nova Guiné é famoso por seus uivos únicos, o Pachón Navarro é mais um filósofo silencioso. Ele só late quando realmente precisa, por exemplo, para proteger o território, o que faz dele um cão de alarme bem razoável.
Com crianças, eles são pacientes e aguentam muita brincadeira. Mas, pelo tamanho do cachorro, é bom sempre ter um adulto por perto quando eles estiverem com crianças muito pequenas. Raramente brigam com outros cães; não têm aquele comportamento de querer dominar tudo, desde que tenham sido bem socializados.
Cuidados e higiene

O Pachón Navarro é rústico no dia a dia, mas tem alguns detalhes que o dono precisa ficar de olho. Sua pelagem curta e dura pede uma escovada com luva de borracha uma vez por semana. Isso tira os pelos mortos e massageia a pele.
Orelhas: É o ponto fraco da raça. Caídas e pesadas, elas não ventilam bem. Depois de cada caçada ou passeio no mato, tem que olhar se não tem carrapatos, sementes ou sujeira. Limpar regularmente com loções próprias evita otites.
Dobras da pele: Atenção especial às dobras no focinho e pescoço. Em climas úmidos, bactérias podem fazer a festa ali, então é importante manter essas áreas secas e limpas.
Adestramento e educação

Essa raça exige um jeito especial. Treinamento militar ou métodos mecânicos não funcionam aqui. O Pachón Navarro é um cão com dignidade. Se você pressionar demais, ele simplesmente “trava” e para de responder.
O segredo é o reforço positivo e a parceria. Eles demoram a amadurecer. A maturidade física e mental completa só vem lá pelos 3 anos. Então, não espere um trabalho perfeito de um cão jovem. O instinto de caça já nasce com eles; muitas vezes, filhotes de 4 ou 5 meses já começam a apontar borboletas ou pombos. O trabalho do dono é só corrigir suavemente esse instinto, ensinando a busca cruzada e a obediência à distância.
Saúde e doenças genéticas

No geral, é uma raça muito saudável, vivendo em média de 12 a 14 anos, o que é ótimo para um cão desse peso. Mas o isolamento da população e a consanguinidade no passado deixaram algumas marcas.
Além dos problemas comuns em cães grandes (displasia coxofemoral), vale a atenção a pontos específicos. O nariz dividido, se a fenda for muito funda, pode ser um defeito estético, mas não atrapalha cães clinicamente saudáveis. É crucial verificar se os filhotes não têm fenda palatina – isso sim é uma patologia séria, incompatível com uma vida normal, e não deve ser confundida com a característica da raça.
Nutrição: como alimentar um cão de trabalho

O Pachón Navarro tem tendência a engordar se a comida não estiver equilibrada com o exercício. É um cão com “metabolismo eficiente” – historicamente, eles se acostumaram a sobreviver com pouca comida. Dar comida demais leva à obesidade e problemas nas articulações.
| Tipo de dieta | Detalhes para o Pachón Navarro |
|---|---|
| Ração Seca (Super Premium) | Escolha rações para raças médias/grandes com gordura moderada (12-15%) para épocas de descanso. Na temporada de caça, a gordura pode subir para 20%. |
| Alimentação Natural | A base é carne magra (boi, peru), vísceras. Obrigatório adicionar vegetais (abobrinha, cenoura) e laticínios fermentados. Grãos e cereais em quantidade mínima. |
| Alimentação Mista | Não se recomenda misturar ração e comida natural na mesma refeição. Isso pode causar problemas digestivos. |
Importante: durante a temporada de caça, a quantidade diária deve aumentar de 30 a 50%, dividindo de forma que a refeição principal seja depois do trabalho. Alimentar o cachorro logo antes do esforço físico é perigoso e pode causar torção gástrica.
Comparação com outras raças espanholas
A Espanha deu ao mundo cães de caça incríveis. Para entender melhor o lugar do Pachón Navarro nessa hierarquia, vale citar seus “parentes” mais próximos.
Muita gente confunde essa raça com o Perdiguero de Burgos. Ambos são antigos pointers espanhóis, mas o Burgos costuma ser mais massivo, tem uma barbela ainda mais pronunciada e orelhas mais longas. O estilo de trabalho é parecido, mas o Navarro é consierado um pouco mais versátil em diferentes terrenos.
Outro exemplo interessante é o Sabueso Español. Enquanto o Pachón Navarro trabalha com o faro alto e faz a “amostra” (aponta), o Sabueso é um rastreador clássico que persegue a presa latindo. Eles podem se complementar numa caçada complexa, mas em casa são cães com temperamentos totalmente diferentes.
Prós e contras da raça

| Vantagens | Desvantagens |
|---|---|
| Psicológico equilibrado: Cão muito estável, sem histeria ou agressividade. | Salivação: Por causa do formato dos lábios, o cachorro pode babar, especialmente depois de comer ou beber. |
| Versatilidade: Trabalha com aves, pelos e segue bem rastro de sangue. | Teimosia: Têm opinião própria, adestrar exige paciência. |
| Contato: Sempre mantém o dono à vista, não costuma fugir. | Raridade: Achar um filhote fora da Espanha é extremamente difícil. |
| Saúde de ferro: Raça rústica com imunidade forte. | Necessidade de exercício: É um cão de trabalho, precisa de atividade ou vai engordar. |
| Fácil de cuidar: Pelo curto não exige tosa ou “grooming” complexo. |
Curiosidades sobre a raça
A história dessa raça é cheia de momentos surpreendentes que a tornam ainda mais atraente para quem gosta de cães.
- Favorito real. Os reis de Navarra Carlos II e Carlos III mencionavam em seus diários os gastos com esses cães, e as somas eram altas – provando o status elevado da raça.
- Caçador intelectual. Dizem que um Pachón Navarro experiente sabe “enganar” a caça, chegando por um lado inesperado e cortando as rotas de fuga, como se calculasse a estratégia antes.
- Paralelos genéticos. Embora o Pachón tenha uma aparência única, suas cores raras às vezes lembram outros fenótipos especiais. Assim como o Pastor Alemão Panda tem uma cor fora do padrão devido a uma mutação, entre os Pachóns também aparecem combinações de cores raras preservadas desde tempos antigos.
Perguntas frequentes (FAQ)
O Pachón Navarro serve para apartamento?
Na teoria sim, desde que faça exercício suficinte. Em casa eles são tranquilos e ocupam pouco espaço (basicamente dormem no sofá). Mas sem 2 ou 3 horas de passeio ativo, o cachorro vai começar a ficar entediado e engordar.
Eles soltam muito pelo?
A troca de pelo é sazonal (primavera-outono), com intensidade média. O pelo duro pode grudar em tapetes e estofados, então vai precisar de limpeza regular.
Onde comprar um filhote?
Essa é a parte difícil. A maioria dos cães está na Espanha. Para conseguir um filhote de qualidade, você terá que contatar criadores espanhóis (por exemplo, do clube Circulo de Cazadores y Criadores de Pachón Navarro) e entrar na fila de espera.
São agressivos com pessoas?
Não, agressividade com humanos é considerada uma falha grave. São cães amigáveis, embora possam ser um pouco reservados com estranhos.
Vídeo sobre a raça
- Um cão de família terno e devotado
- Excelente cão de aponte de aves
- Equilibrado, bom guardião
- Saúde robusta no geral
- Forte instinto por aves (perigoso para aves domésticas)
- Precisa de exercício e trabalho
- Raro — já esteve à beira da extinção
- Orelhas caídas propensas a otites
| Pointer | Pointer alemão de pelo curto | Perdiguero de Burgos | |
|---|---|---|---|
| Altura | 58–70 cm | 53–64 cm | 59–67 cm |
| Energia | 4.5 | 4.5 | 4 |
| Apartamento | 2.5 | 2.5 | 2.5 |
| Iniciantes | 3 | 3 | 3 |
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