Perro Ratero Mallorquín (Ca Rater Mallorquí)

By tvaryny
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Em resumo Um minúsculo caçador de ratos maiorquino agitado, de coração corajoso: vivaz, ágil, devotado e vigilante. O ca rater mallorquí (perro ratero) é uma pequena raça baleárica criada para caçar ratos em pântanos e fazendas; um companheiro enérgico e carinhoso e um excelente «campainha», que vence muros e tocas com facilidade.
ApartamentoCriançasGatos ⚠Outros cãesIniciantes
Parâmetros
Altura29–36 cm
Peso3–5 kg
Expectativa de vida12–15 anos
Grupo FCInão reconhecida pela FCI (caçador de ratos baleárico)
OrigemEspanha (Maiorca)
Tamanho
Altura na cernelha 29–36 cmPeso 3–5 kg
Avaliações · 12 · Dataset
FamíliaCriançasIniciant.TreinoEnergiaSaúdeQueda de.BabaLatidoApartame.ClimaInstinto.
Notas exatas
Família4.5
Crianças3.5
Iniciantes3.5
Treino3.5
Energia4.0
Saúde4.0
Queda de pelo2.0
Baba1.0
Latido3.5
Apartamento4.0
Clima2.5
Instinto caça4.0
Problemas de saúde
  • Uma raça robusta e resistente no geral
  • Luxação de patela
  • Doenças dentárias (boca pequena)
  • Lesões pela agilidade em saltos e ousadia
  • Sensibilidade ao frio (pelo curto)
Alimentação

Porções pequenas de ração de qualidade para raças pequenas ativas e controle de peso. Cuidado dental; no inverno proteja-o do frio pela pelagem curta.

O Perro Ratero Mallorquín, ou Ca Rater Mallorquí (Majorca Ratter) não é apenas um cachorrinho de colo para enfeitar o sofá, mas um verdadeiro pacote de energia, história e lealdade incrível. Se você está procurando um companheiro que combine a destemor de um terrier com a elegância de um pinscher, esta raça pode ser exatamente o que você precisa. Saiba mais em Tvaryny.

História da origem da raça

A história desta raça está intimamente ligada à história das Ilhas Baleares, especificamente a ilha de Maiorca. Acredita-se que os ancestrais desses cães chegaram às ilhas junto com os colonos catalães. Durante séculos, eles desempenharam um trabalho importante, embora nem sempre visível – limpar estábulos e fazendas de roedores. É por isso que o nome deles contém a palavra “Rater” (de “rata” – rato).

Curiosamente, genética e fenotipicamente, o Perro Ratero Mallorquín tem muito em comum com outros caçadores de ratos espanhóis. Por exemplo, se você olhar para o Ratonero Valenciano (Gos Rater Valencià), notará uma semelhança impressionante. Isso é explicado pela proximidade geográfica e pelos laços comerciais históricos entre Valência e Maiorca. No entanto, o isolamento insular permitiu ao mallorquín preservar suas características únicas, que o distinguem de seus “primos” continentais.

Ca rater, perro ratero, ratoner: uma raça em três idiomas

Aqui mora boa parte da confusão dos fóruns. Ca Rater Mallorquí é o nome em catalão maiorquino — “ca” é cão, “rater” vem de “rata”; Perro Ratero Mallorquín é o mesmo em castelhano, e Ratoner de Mallorca é a terceira forma. Três etiquetas, um único cão. Já o ratero valenciano é outro cão — e, se o texto que você lê por aí menciona número de padrão internacional, é quase certo que está falando dele.

Os papéis que esse cão tem — e os que ele não tem

Primeira engrenagem: a cinofilia internacional. A Fédération Cynologique Internationale, a FCI, não reconhece o ca rater mallorquí, e não existe número de padrão FCI para essa raça. Circula em agregadores estrangeiros que a entidade cinófila espanhola teria “reconhecido” a raça: não procede — na listagem espanhola de raças reconhecidas ela não aparece, figurando apenas numa gaveta separada de raças em recuperação.

Segunda engrenagem: a administração pública espanhola. O padrão da raça foi publicado no diário oficial das Ilhas Baleares em 28 de dezembro de 2002, e antes disso, em 21 de novembro de 2002, uma resolução entregou ao clube a gestão do livro genealógico — atos publicados no marco do Real Decreto 558/2001, sobre reconhecimento oficial das associações de criadores. Depois o cão entrou no anexo estatal do ministério da agricultura espanhol: as fontes divergem entre 2003 e 2004 porque foram duas etapas do mesmo processo, com comitê em abril de 2003 e ordem ministerial em março de 2004 — e maiorquino e valenciano entraram no mesmo papel, no mesmo dia.

Há ainda uma terceira camada: uma lei em vigor cita a raça pelo nome. A Lei 6/2006 das Ilhas Baleares, que regula a caça, determina no artigo 34.5 que o poder público favoreça a conservação das raças caçadoras locais, nomeando expressamente o eivissenc, o mè e o rater. A fórmula honesta é simples: documentos ele tem; o que não tem é documento da FCI. E não tem porque o próprio clube fechou a porta — entrar na estrutura cinófila espanhola exigiria entregar o livro genealógico a uma entidade nacional, e o CEPRAM, fundado em 1990, preferiu continuar dono do próprio registro.

CBKC, FCI e o Brasil: por que não existe pedigree brasileiro dessa raça

No Brasil, a entidade filiada à FCI é a CBKC — Confederação Brasileira de Cinofilia, que mantém o stud book nacional e emite pedigree pelos kennel clubs regionais. E ela não trabalha só com o catálogo da FCI: mantém um Regulamento do Reconhecimento de Novas Raças, em versão de 6 de julho de 2023, com uma gaveta nacional para o que a FCI ainda não abraçou — o Grupo 11, das raças não reconhecidas pela FCI. É assim que o Ovelheiro Gaúcho e o Buldogue Campeiro conseguem registro e ringue sem depender de Bruxelas.

Caberia um ca rater nessa gaveta? Cabe — com uma condição que muda tudo. Para raças estrangeiras, o artigo 16 diz que raça reconhecida pela FCI é automaticamente reconhecida pela CBKC. E o artigo 17 diz, em resumo fiel: raça estrangeira não reconhecida pela FCI pode ser reconhecida pela CBKC, a critério da diretoria, desde que seja reconhecida pela entidade nacional filiada ou conveniada com a FCI no seu país de origem.

Leia de novo e a ficha cai. A porta brasileira existe, mas a chave está na Espanha — e não em Maiorca. Quem teria de reconhecer o ca rater para destravar a CBKC é exatamente a entidade espanhola sob a qual o clube maiorquino decidiu não se colocar. Resultado: a decisão tomada em Maiorca nos anos 2000 fecha, hoje, a porta do stud book brasileiro. Na prática, o animal não terá pedigree brasileiro nem ninhada registrada aqui — só a certidão do clube maiorquino, sem efeito no sistema CBKC/FCI. Para quem quer companheiro, é irrelevante; para quem sonha em criar, é o fim da linha.

Terrier Brasileiro: o nosso ratero chegou onde o maiorquino não chegou

Se existe uma raça capaz de fazer o brasileiro entender na pele o que é o ca rater, é a que a gente tem em casa. O Terrier Brasileiro, que quase todo mundo aqui chama de Fox Paulistinha, é um caçador de bicho pequeno de fazenda, esperto, barulhento e convencido de que é maior do que é. A descrição serve para os dois quase palavra por palavra — a diferença é o destino.

O Terrier Brasileiro chegou lá: está na nomenclatura da FCI sob o padrão nº 341, no Grupo 3 (Terriers), Seção 1 (terriers de grande e médio porte), sem prova de trabalho, origem Brasil. Foi aceito em caráter definitivo em 21 de maio de 2007, e o padrão oficial vigente é de 14 de maio de 2022. É um cão médio — machos de 35 a 40 cm, fêmeas de 33 a 38 cm, peso máximo de 10 kg —, bem mais robusto que o maiorquino.

A origem, contada pelo próprio padrão da FCI, é muito brasileira: nos séculos XIX e XX, moços brasileiros iam estudar em universidades europeias e voltavam casados, e as esposas traziam cachorrinhos do tipo terrier. De volta às fazendas, o cão pequeno se adaptou à vida rural e cruzou com os cães locais, fixando o tipo em poucas gerações.

Repare como as trajetórias se espelham e depois divergem. O mecanismo inicial é idêntico: cão pequeno, ambiente rural, roedor como problema diário, seleção informal feita por quem precisava de resultado. A bifurcação vem do que veio depois. No Brasil a raça entrou na estrutura cinófila formal, e não foi de graça: a primeira tentativa, nos anos 1960, foi cancelada por número insuficiente de registros, e levou décadas até o reconhecimento definitivo. Em Maiorca, o clube escolheu o caminho oposto.

A terceira raça brasileira reconhecida lá fora ensina outra coisa. O Rastreador Brasileiro, padrão FCI nº 275, Grupo 6, foi aceito em 1º de setembro de 1967 e depois dado como extinto, perdendo o reconhecimento. Décadas depois criadores reconstruíram a população, a CBKC voltou a registrá-la e o padrão vigente saiu em 4 de setembro de 2019. Moral das três histórias: reconhecimento não é troféu eterno nem porta trancada para sempre. O que falta ao ca rater não é mérito — é um intermediário institucional disposto a segurar o livro em nome dele.

As quatro raças de Maiorca e um padrão incômodo
  • Ca de bou (dogue maiorquino) — cão de agarre, imponente, reconhecido pela FCI sob o padrão nº 249, consolidado ainda na década de 1960.
  • Ca de bestiar (pastor maiorquino) — cão preto grande de rebanho e guarda, padrão FCI nº 321, Grupo 1.
  • Ca mè mallorquí (perdigueiro maiorquino) — cão de aponte, não reconhecido pela FCI.
  • Ca rater mallorquí — o nosso, não reconhecido pela FCI.

Os dois grandes e vistosos passaram; os dois utilitários ficaram de fora. Não é conspiração: reconhecimento exige clube organizado, população documentada e disposição para peitar um processo internacional longo — e cão que trabalha no depósito não atrai esse tipo de estrutura.

O que a genética de 2022 disse — e o que ela desmentiu

Em 2022 saiu um estudo com marcadores microssatélites usando 77 amostras de pelo colhidas em Maiorca, e o resultado desmontou uma história repetida havia décadas: a de que o ca rater descenderia de terriers britânicos. A genética não confirmou esse parentesco — o que se vê é convergência, dois grupos com o mesmo trabalho ficando parecidos sem serem parentes. O que o estudo confirmou foi o parentesco com o ratero valenciano.

Os números foram razoavelmente tranquilizadores — heterozigosidade esperada de 0,685 e observada de 0,655, índice de endogamia FIS de 0,044 —, mas o sinal amarelo veio de outro lugar: no registro analisado havia 363 animais, dos quais 146 fundadores, e os nascimentos vêm caindo desde 2011. Os autores concluíram que a raça precisa de um programa de conservação, e aí está o problema silencioso: esse programa não tem onde ser pendurado, porque o catálogo oficial espanhol de raças de criação em risco não contempla cães.

Quanto ao tamanho da população, as fontes não batem: o clube fala em mais de mil registrados e cerca de 150 filhotes por ano, publicações espanholas citam pouco mais de dois mil, e o estudo genético trabalhou com 363. O que dá para afirmar é o intervalo: são milhares, não dezenas de milhares.

Aparência e padrões da raça
Perro Ratero Mallorquín (Ca Rater Mallorquí)

O Perro Ratero Mallorquín é um cão de pequeno porte, mas de constituição robusta. Ele não parece frágil ou um “cão de brinquedo”. Seu corpo é proporcional, musculoso, projetado para reação instantânea e corrida rápida. A cabeça do cachorro lembra a forma de um cone truncado, e os olhos são escuros, expressivos e cheios de inteligência, o que é a marca registrada da raça.

Principais características da aparência:

  • Orelhas: Grandes, eretas e triangulares. Elas dão ao cão uma aparência sempre alerta.
  • Pelagem: Curta, lisa e bem rente ao corpo. Muito agradável ao toque.
  • Cor: A mais comum é preto e canela (black and tan). Variações de marrom e canela são menos comuns. O tricolor (preto, fogo, branco) também é aceito, onde as manchas de “fogo” estão localizadas no peito, focinho e sobrancelhas.
CaracterísticaDescrição do padrão
Altura na cernelhaMachos: 32-36 cm, Fêmeas: 29-33 cm
Peso3 – 5 kg (dependendo do sexo e constituição)
Expectativa de vida12-15 anos
País de origemEspanha (Maiorca)
FunçãoCaça de roedores, companhia, guarda
A cauda: 20% nascem sem ela — e no Brasil cortar é crime

Cerca de 20% dos filhotes de ca rater nascem sem cauda ou com cauda rudimentar: bobtail natural, genético, sem intervenção humana — e um mesmo cruzamento pode produzir filhotes com e sem cauda. O problema é que a raça também era caudectomizada por hábito, e gerações de fotos antigas mostram cães sem cauda sem que se saiba quais eram bobtail de nascença. Na Europa a mutilação estética hoje está proibida por convênio internacional adotado pela Espanha.

No Brasil, a camada profissional. A Resolução CFMV nº 877, de 15 de fevereiro de 2008, proibiu procedimentos cirúrgicos com finalidade exclusivamente estética em animais — conchectomia, cordectomia e onicectomia. Em 2013, a Resolução CFMV nº 1.027 complementou o texto e tornou explícita também a proibição da caudectomia. A exceção é única: indicação clínica, como lesão grave. Quem fizer sem justificativa clínica responde a processo ético-profissional no conselho regional.

E a camada criminal. A Lei de Crimes Ambientais, Lei nº 9.605/1998, tipifica maus-tratos a animais, e entre as condutas está expressamente mutilar. Com a Lei nº 14.064, de 29 de setembro de 2020 — a Lei Sansão —, quando a vítima é cão ou gato a pena passou a ser de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. Traduzindo: se o filhote nasceu com cauda, ela fica; e se alguém sugerir “dar uma aparadinha para ficar no padrão antigo”, a resposta é não. É onde a porca torce o rabo, literalmente.

Temperamento e caráter do caçador de Maiorca
Perro Ratero Mallorquín (Ca Rater Mallorquí) — Temperamento e caráter do caçador de Maiorca

Se você acha que tamanho pequeno significa timidez, o Perro Ratero Mallorquín vai dissipar esse mito rapidamente. É um cão com personalidade. Em casa, no círculo familiar, são incrivelmente carinhosos, adoram contato físico e frequentemente escolhem uma pessoa que consideram “sua”. No entanto, assim que cruzam a porta de casa, o modo “caçador” ou “guarda” é ativado.

Cabe aqui o ditado que todo brasileiro conhece: tamanho não é documento. Um cão de quatro quilos selecionado por gerações para encarar um rato adulto num vão escuro não desenvolveu senso de proporção nenhum — ele não sabe que é pequeno, e ninguém nunca precisou que ele soubesse.

Vale notar a desconfiança deles com estranhos. Ao contrário de algumas raças decorativas que ficam felizes com qualquer um, o mallorquín primeiro avalia a situação. Essa característica o aproxima de outro representante dos terriers espanhóis – o Ratonero Bodeguero Andaluz, que também é conhecido por suas habilidades de guarda, apesar do tamanho modesto.

Os números dele ilustram o argumento deste texto: o bodeguero andaluz tem padrão FCI nº 371, vigente desde 3 de setembro de 2024; o ratero valenciano, parente genético mais próximo do maiorquino, tem padrão FCI nº 370, vigente desde 21 de junho de 2022 — ambos no Grupo 3, Seção 1. Até poucos anos atrás os três rateros espanhóis estavam igualmente fora da nomenclatura internacional. Dois entraram; o maiorquino não.

Instinto de caça

Não se deve esquecer o propósito original da raça. O instinto de perseguição neles é extremamente desenvolvido. Qualquer objeto pequeno em movimento (um esquilo, um rato, às vezes até o gato do vizinho) será percebido como um alvo. Nesse aspecto, eles são frequentemente comparados aos terriers de trabalho britânicos. Por exemplo, seu ímpeto lembra muito o Patterdale Terrier, que se lança na batalha com a mesma coragem, sem se importar com os obstáculos. Os donos devem ter cuidado durante os passeios sem guia.

Um esclarecimento técnico muda tudo: o gatilho é o movimento pequeno e rápido, e a reação dispara antes do comando chegar ao cérebro consciente do cachorro. Um pombo levantando voo, um sagui pulando no muro — a resposta é reflexa, e não adianta gritar. Quem tem essa raça administra ambiente, não obediência: guia curta na rua, quintal cercado de verdade, portão que fecha sozinho.

Como esse cão trabalha de verdade

Visualize o cenário original: a possessió, a propriedade rural maiorquina, com depósito de grãos, estábulo, moinho e lagar. O cão era colocado embaixo do assoalho, entre os sacos empilhados, nas frestas dos muros de pedra seca — o tamanho miúdo não é capricho de padrão, era requisito de acesso. E o trabalho é mais perigoso do que parece: rato encurralado não foge, vira e morde, e um roedor adulto machuca feio um cão de quatro quilos. A seleção, portanto, foi por coragem.

Some o fato de ele trabalhar sozinho, no escuro, sem receber ordem nenhuma, e você entende de onde vem a independência que os manuais chamam de teimosia. O repertório não parava no rato: também coelho, lebre e tordos. Na caça ao coelho a técnica tem nome em catalão — buidar, “esvaziar” — e consiste em entrar no matagal e empurrar a caça para fora, o oposto do podenco ibicenco. E os caçadores preferiam os tricolores ou com manchas brancas: cor de pelagem, aqui, começou como equipamento de segurança.

A dupla maiorquina: o grandão e o dedo-duro

Há um arranjo tradicional em Maiorca que explica o latido dessa raça melhor do que qualquer manual: na propriedade rural, o ca rater trabalhava em dupla com o ca de bestiar, o pastor maiorquino grande e preto. Divisão de tarefas limpa — o grande resolvia, o pequeno avisava. Era, nas palavras dos criadores, “aquele que anuncia qualquer um que se aproxima”.

Isso reposiciona o problema: o ca rater não late porque foi mal-educado, e sim porque latir era a função. O latido é o relatório de serviço dele — ele é o dedo-duro oficial da casa, com orgulho profissional. Não se trata de “tirar o latido”, e sim de ensinar quando parar.

A ponte brasileira: quem tomava conta do paiol

Se o problema do roedor é universal, por que o Brasil não desenvolveu o seu próprio ca rater? Rato em fazenda brasileira nunca foi problema pequeno: no milho em espiga guardado em paiol de madeira, as perdas causadas por insetos e roedores podem chegar perto de 15% do armazenado, contra 1% a 2% a granel em silos. E há um roedor com endereço no nome: o Rattus rattus, o rato de telhado, também chamado de rato de paiol.

A diferença é que, aqui, a solução que se consolidou foi de engenharia, e não de cinofilia. As recomendações técnicas para paiol são de arquitetura antirrato: piso elevado do chão entre 0,80 m e 1,00 m, “chapéu chinês” nas colunas de sustentação, escada removível mantida afastada quando não está em uso, e construção longe de árvores que sirvam de ponte pelo telhado. Houve até paiol com barreira de chapa de zinco desenvolvido por instituições de pesquisa e extensão rural.

E a parte biológica ficou majoritariamente com o gato — a língua registrou isso num dos ditados mais conhecidos do país: “quem não tem cão caça com gato”. O resto ficou com o cão de fazenda sem raça definida, que dava conta do recado sem nunca ter tido livro genealógico: mesma seleção espontânea de Maiorca, mas sem clube, sem padrão escrito e sem ninguém anotando nada — por isso não cristalizou em raça. E o caçador de bicho pequeno que virou raça brasileira veio com outra função: o Terrier Brasileiro é descrito no padrão internacional como caça a animais de pequeno porte, guarda e companhia.

Manutenção e cuidados
Perro Ratero Mallorquín (Ca Rater Mallorquí) — Manutenção e cuidados

Uma das maiores vantagens desta raça é a facilidade de cuidado. A pelagem curta não requer tosa profissional, trimming ou procedimentos complexos. Basta passar uma luva especial no cão uma vez por semana para remover os pelos mortos. No entanto, vale lembrar que, devido à falta de subpelo, eles toleram mal o frio.

Esse último ponto pede calibragem brasileira, porque quase tudo que se escreve sobre a raça vem de país de inverno rigoroso. Aqui a sensibilidade ao frio importa numa parte específica do território: Serra Gaúcha, planalto catarinense, região de Curitiba e as serras fluminense e mineira em noites de inverno. Na maior parte do país, o problema é exatamente o oposto. Fora isso, a rotina é simples: escovação semanal com luva de borracha, banho só quando sujar, unhas aparadas e atenção à boca.

Sol, calor e pelagem curta: o cuidado que se inverte no Brasil

Esta é a maior diferença entre ter um ca rater em Maiorca e ter um em Fortaleza, Cuiabá ou Rio de Janeiro. A raça atravessa bem o calor seco mediterrâneo, mas o calor brasileiro vem com umidade alta — e umidade alta estraga o principal sistema de refrigeração do cachorro, a ofegação: com o ar saturado de vapor, a evaporação pela via respiratória rende menos e o cão esquenta.

Passeio tem horário. Meio-dia de verão, em qualquer capital brasileira, é hora de ficar dentro de casa; o ideal é sair no começo da manhã e depois do pôr do sol — com uma ressalva que aparece na parte de leishmaniose. Antes de sair, encoste as costas da mão no asfalto por cinco segundos: se você não segura, o coxim do cachorro também não. Cão pequeno anda a poucos centímetros do chão, num calor irradiado que a gente nem percebe.

Queimadura solar é risco real nessa raça. Pelagem curta sem subpelo protege pouco, e as áreas mais expostas são as de pele clara: barriga, focinho, ponta de orelha e virilha — o tricolor, com áreas brancas, é o mais vulnerável. Sombra sempre disponível, e protetor solar apenas em produto formulado para cães, porque protetor humano tem componentes que o animal acaba lambendo.

Sinais de golpe de calor: ofegação intensa que não cede com repouso, mucosas muito avermelhadas, salivação espessa, cambaleio, vômito, prostração súbita. É emergência veterinária; até o transporte, o cão vai para a sombra e é molhado com água em temperatura ambiente — não gelada, que contrai os vasos da pele e atrapalha a dissipação do calor. Nunca deixe o cachorro no carro estacionado: um cão de quatro quilos desidrata rápido e se recupera devagar.

Carrapato: erliquiose e babesiose na rotina de quem entra no mato

Um cão feito para entrar em vegetação baixa, revirar entulho e cheirar buraco de muro encontra carrapato muito mais do que o pug do apartamento ao lado. No Brasil o vetor principal é o Rhipicephalus sanguineus, o carrapato marrom do cão, que transmite a erliquiose canina — causada por Ehrlichia canis e conhecida como “doença do carrapato” — e também a babesiose. A erliquiose é amplamente disseminada pelo país, com as maiores frequências no Nordeste e as menores no Sul.

  • Controle contínuo, não sazonal. Em boa parte do Brasil o carrapato não tem entressafra: antiparasitário externo em esquema definido pelo veterinário, o ano inteiro.
  • Inspeção após cada passeio em área verde. A pelagem curta ajuda muito aqui. Olhe orelhas, entre os dedos, virilha, axilas e pescoço.
  • Ambiente também conta. O carrapato marrom vive nas frestas da parede, no rodapé, na casinha e no muro, não no cachorro. Tratar só o animal e deixar o quintal intocado é enxugar gelo.
  • Sinais de alerta: apatia, febre, falta de apetite, sangramento de nariz, manchas roxas na pele ou na gengiva, mucosas pálidas.
Leishmaniose visceral: o risco brasileiro que muda o passeio

Se houvesse uma única seção deste guia para ler com atenção total, seria esta. A leishmaniose visceral canina é endêmica em grande parte do território nacional e não tem paralelo no manejo europeu da raça. A transmissão ocorre pela picada do flebotomíneo Lutzomyia longipalpis — o mosquito-palha, birigui ou tatuquira, conforme a região — infectado por Leishmania infantum.

O que conecta isso ao ca rater é o hábito do inseto: ele se reproduz em matéria orgânica em decomposição, folhiço acumulado, entulho e canto úmido perto de galinheiro e depósito — exatamente onde um cão ratero adora passar o dia. Some o pico de atividade do vetor no crepúsculo, e você tem um cachorro que faz questão de estar no lugar errado na hora errada.

  • Coleira impregnada com deltametrina a 4% — a medida individual mais consagrada no país para reduzir as picadas; em 2021 o Ministério da Saúde aprovou a incorporação dessas coleiras no controle da leishmaniose visceral em municípios prioritários.
  • Manejo ambiental — recolher folha caída, não acumular matéria orgânica, podar e arejar cantos úmidos. Trabalho chato, e é o que derruba a população do vetor no seu terreno.
  • Horário — em área endêmica, evitar o cão solto no quintal entre o fim da tarde e o começo da noite. Resolve-se saindo no início da manhã e recolhendo o cachorro no crepúsculo.

Sobre tratamento, a regra brasileira é específica e mal contada na internet. A Portaria Interministerial nº 1.426, de 11 de julho de 2008, proíbe tratar a leishmaniose visceral canina com produtos de uso humano ou não registrados no Ministério da Agricultura. Em 2016, o MAPA autorizou o registro do Milteforan, à base de miltefosina, que passou a ser o leishmanicida aprovado para cães no país. Um recado extra para quem pensa em importar: a leishmaniose também é endêmica na bacia do Mediterrâneo, incluindo as Baleares, e um cão vindo de lá pode chegar infectado e assintomático.

Leptospirose e o pacote de zoonoses de quem caça rato

Um cão que persegue roedor por vocação convive com riscos que outros não enfrentam, e no Brasil o mais pesado é a leptospirose. Causada por bactérias do gênero Leptospira, tem distribuição endêmica no país e concentra casos nos períodos chuvosos, sobretudo nos grandes centros urbanos, por causa das enchentes somadas a saneamento deficiente e alta infestação de roedores infectados. Os principais reservatórios são Rattus norvegicus, a ratazana, Rattus rattus, o rato de telhado, e Mus musculus, o camundongo.

O detalhe crucial é que a contaminação nem precisa de contato com o rato: a bactéria sai na urina do roedor e sobrevive na água e no solo úmido. Uma poça depois da chuva, a beira de um córrego — o cachorro que fuça, bebe e anda de barriga rente ao chão está no perfil de exposição mais alto que existe. Prevenção: vacinação em dia, controle de roedores no imóvel e bom senso na chuva. O resto do pacote: verminoses por ingestão de presa; raiva, cuja vacinação não se discute; e ferimentos por mordida de roedor, porque boca de rato é ambiente séptico.

Raticida: o veneno direto e o veneno que chega pelo rato

Cenário 1: o cão come a isca. No Brasil circula clandestinamente o famigerado “chumbinho”, produto sem registro na Anvisa nem em qualquer órgão de governo, usado de forma irregular como raticida. Em boa parte das amostras analisadas o princípio ativo é o aldicarb, um carbamato anticolinesterásico banido do mercado brasileiro em 2012 pela alta incidência de intoxicações, mas ainda vendido por baixo do pano. A absorção é rapidíssima e os sinais começam em minutos a poucas horas: salivação intensa, tremores, pupilas contraídas, vômito, convulsão, morte por paralisia respiratória. Envenenar animal, vale dizer, é crime agravado pela Lei nº 14.064/2020.

Cenário 2: o cão come o rato que comeu o veneno. É a intoxicação secundária, e é onde mora a armadilha. Os raticidas anticoagulantes de segunda geração, como o brodifacoum, se acumulam no fígado do roedor, e o rato envenenado leva dias para morrer — período em que fica lento e desorientado, presa fácil para um cão ratero. O quadro no cachorro não é imediato: os sinais costumam aparecer na faixa de dois a cinco dias, o tempo de se esgotarem os fatores de coagulação já formados. E aparece como sangramento — fezes escuras, vômito com sangue, sangue na urina, hematomas, mucosas pálidas, fraqueza súbita.

Essa latência é o que engana o tutor: o cachorro pegou um rato na segunda-feira, ficou ótimo a semana toda, e na quinta amanhece abatido — e ninguém conecta as duas coisas. O antídoto é a vitamina K1, prescrita e dosada por veterinário, e com anticoagulantes de ação prolongada o tratamento pode se estender por semanas.

  • Saber se o seu condomínio, o prédio vizinho ou a padaria da esquina fazem desratização, e quando. Síndico costuma avisar; se não avisa, pergunte.
  • Guia curta nos dias seguintes a uma dedetização na região, e atenção redobrada em terreno baldio, área de lixo e beira de córrego.
  • Se o cão pegou um roedor, anote a data: é a primeira coisa que o veterinário vai querer saber.
  • Se o veneno foi identificado, leve a embalagem ou fotografe o rótulo — carbamato e anticoagulante têm condutas completamente diferentes.
Adestramento e educação: abordagem à personalidade
Perro Ratero Mallorquín (Ca Rater Mallorquí) — Adestramento e educação: abordagem à personalidade

Esses cães são inteligentes, mas podem ser teimosos. Métodos padrão de “treinamento militar” não funcionam aqui. O mallorquín deve entender por que está executando um comando. O melhor método é o reforço positivo e o aprendizado em forma de brincadeira. Eles se saem muito bem em agility, onde podem usar sua velocidade e agilidade.

É importante entender a diferença no temperamento dos cães de caça. Se, por exemplo, o Otterhound é um rastreador grande e resistente, projetado para trabalhar na água e em terrenos pesados, o Perro Ratero Mallorquín é um “velocista” e um caçador de toca em terra firme. Sua tarefa é o arranque instantâneo e a mordida. Portanto, nos treinos, o foco é na paciência e no controle das reações para dominar seu temperamento explosivo.

Tipo de atividadeFrequência recomendadaNota
Passeios2-3 vezes ao diaMínimo de 45 minutos de movimento ativo
Agility / Esporte1-2 vezes por semanaIdeal para gasto de energia mental
Jogos de faroDiariamente em casaAjuda a satisfazer o instinto de caça
Latido, vizinho e condomínio: a conversa que ninguém quer ter

Sejamos francos, porque isso derruba mais adoções do que qualquer problema de saúde: um cão selecionado para avisar, morando em prédio de parede fina com interfone tocando o dia inteiro, é receita conhecida de atrito com vizinho. Não é defeito de criação — é a função para a qual ele existe, funcionando no lugar errado.

Dá para conviver, e milhares de pessoas convivem. Vale limitar a visão do cão para o corredor e para a janela da rua, porque o gatilho quase sempre é visual; treinar o encerramento do alerta desde filhote, recompensando o cão por parar; e gastar energia antes dos horários críticos do prédio. Vale também conversar com o vizinho antes do primeiro bilhete na porta: perturbação de sossego é matéria de regimento interno, e é mais confortável resolver com adestrador do que com assembleia.

Convivência com gatos, roedores e outros cães

Com gatos, depende da apresentação: filhote criado junto com gatinho vira dupla inseparável, enquanto cão adulto que recebe um gato novo já é loteria. E há um fator que independe da boa vontade de todos — gato que corre liga o reflexo, porque o gatilho é o movimento, não a espécie. Com outros cães costuma se dar bem, com o ponto de atenção típico de terrier pequeno: coragem desproporcional ao tamanho.

Com roedores e aves de estimação não há meio-termo: hamster, porquinho-da-índia, chinchila, coelho anão, calopsita e periquito são presa profissional dessa raça. Não é questão de educação, e a solução é engenharia — cômodos separados, porta que fecha, gaiola inacessível, nunca os dois soltos no mesmo ambiente, porque a supervisão humana é mais lenta que o reflexo do cachorro.

Saúde e características genéticas
Perro Ratero Mallorquín (Ca Rater Mallorquí) — Saúde e características genéticas

O Perro Ratero Mallorquín é uma raça aborígene que se formou em condições de dura seleção natural. Isso lhes conferiu uma imunidade forte. Eles raramente sofrem de alergias alimentares, que são o pesadelo de muitas raças modernas. No entanto, como qualquer ser vivo, existem pontos fracos que o tutor pode desconhecer sem preparação prévia.

Problemas específicos podem incluir luxação de patela (rótula) – um problema típico de raças pequenas. Check-ups regulares no veterinário permitem detectar o problema em um estágio inicial.

Uma ressalva metodológica vale mais do que qualquer lista de doenças: não existe levantamento de enfermidades hereditárias específico para esta raça — não há programa clubístico de rastreamento nem teste de DNA para ela. Quando você lê que o ca rater é “uma das raças mais saudáveis do mundo”, a frase significa “ninguém estudou sistematicamente”. Não descrito não é o mesmo que inexistente. Dito isso, há razões objetivas para considerá-la robusta: seleção natural dura, vida de trabalho, ausência de exageros anatômicos e endogamia baixa.

  • Luxação medial de patela — sinal clássico: o cachorro dá alguns passos com a perna suspensa e volta a andar normal. Avaliação ortopédica logo no primeiro episódio.
  • Boca e dentes — mandíbula pequena favorece tártaro, doença periodontal e retenção de dente de leite. Escovação é rotina, não luxo.
  • Traumas por ousadia — a coragem que fez a raça é a mesma que enche a ficha do pronto-socorro.
  • Controle de peso — em cão de três a cinco quilos, cem gramas a mais já é sobrepeso relevante.

Sobre longevidade, as fontes apontam faixas como 12 a 16 anos, cerca de 15 ou 12 a 14 anos. A síntese razoável, e a que este guia adota, é 12 a 15 anos. Números do tipo “17 anos” valem como exceção individual, não como expectativa da raça.

Alimentação: como não superalimentar o atleta
Perro Ratero Mallorquín (Ca Rater Mallorquí) — Alimentação: como não superalimentar o atleta

Os mallorquines têm um excelente apetite. Devido à sua hiperatividade, o metabolismo funciona rápido, mas com a diminuição das atividades (por exemplo, no inverno ou na velhice), eles tendem a ganhar peso rapidamente. A obesidade para um cão dessa constituição é crítica, pois coloca uma carga enorme sobre os membros finos e o coração.

Recomenda-se o uso de rações premium e super premium para raças pequenas com alta atividade. Se você optar pela alimentação natural, a dieta deve consistir em 60-70% de carne de qualidade (carne bovina, peru, coelho).

Duas adaptações brasileiras. Em clima quente e úmido, saco de ração mal fechado estraga rápido e ainda atrai justamente o roedor que a gente quer longe — recipiente rígido com tampa resolve os dois problemas. E dieta caseira dá certo, mas com formulação de médico-veterinário especialista em nutrição. Petisco também conta: dois ou três biscoitinhos por dia já são fatia significativa da energia de um cão desse porte, e uva, chocolate, cebola, alho e xilitol são tóxicos em dose minúscula.

Prós e contras da raça
Perro Ratero Mallorquín (Ca Rater Mallorquí) — Prós e contras da raça
Vantagens (+)Desvantagens (-)
Tamanho compacto: Ideal para apartamento e viagens.Barulhento: Gostam de latir, às vezes sem motivo sério.
Saúde: Uma das raças mais saudáveis entre os cães pequenos.Nervosismo: Precisam de socialização precoce, caso contrário podem se tornar medrosos ou agressivos.
Qualidades de guarda: Sempre avisará sobre visitas com um latido sonoro.Friorento: Não são adequados para viver no quintal em nosso clima.
Fácil cuidado: O pelo curto não exige esforco.Impulso de caça: Podem sair correndo atrás de uma presa.
Fatos interessantes sobre a raça
  1. Em Maiorca, esta raça ainda é usada para seu propósito original em fazendas, bem como para a caça de coelhos.
  2. Eles não têm o cheiro típico de “cachorro”, o que os torna companheiros de casa agradáveis.
  3. Uma lei em vigor cita a raça pelo nome: a norma balear de caça manda o poder público favorecer a conservação das raças caçadoras locais, nomeando o rater ao lado do eivissenc e do mè.
  4. Aproximadamente um em cada cinco filhotes nasce sem cauda ou com cauda rudimentar — bobtail natural, sem nenhuma intervenção humana.
  5. Os caçadores maiorquinos preferiam os tricolores porque o branco impedia confundir o cão com o coelho dentro do matagal.
  6. A exposição monográfica acontece tradicionalmente no primeiro domingo de dezembro, na vila de Montuïri, onde o clube se reúne desde 1990.
  7. Apesar da cara de terrier, o estudo genético de 2022 não encontrou parentesco com os terriers britânicos — a semelhança é convergência.
Como um ca rater chega ao Brasil: MAPA, VIGIAGRO e o CVI

Como não existe criação estabelecida da raça no país, quem quiser um exemplar precisa trazê-lo de fora. Quem fiscaliza a entrada de animais no Brasil é o VIGIAGRO, vinculado ao MAPA — Ministério da Agricultura e Pecuária; a inspeção acontece no aeroporto de chegada e, para cães e gatos vindos da União Europeia, não se exige autorização prévia de importação.

O documento central é o Certificado Veterinário Internacional (CVI), emitido ou endossado pela autoridade veterinária oficial do país de origem. Os requisitos vigentes estão na Portaria MAPA nº 741, de 10 de dezembro de 2024, e o modelo atualizado de certificado é obrigatório desde 6 de setembro de 2025. A vacinação antirrábica precisa estar válida no ingresso, e o certificado tem validade curta contada da emissão. Como as exigências podem mudar, confira a versão atual no site do MAPA antes de comprar passagem — e acrescente o teste sorológico para leishmaniose antes do embarque.

Perguntas frequentes (FAQ)

Para que o ca rater mallorquí foi criado?

Para eliminar roedores nas propriedades rurais de Maiorca — depósito de grãos, estábulo, moinho, lagar —, daí o nome “rater”, de “rata”, rato. Também era usado em coelho, com a técnica de empurrar a caça para fora do matagal, e como cão de alerta da casa.

Dá para registrar um ca rater mallorquí na CBKC e tirar pedigree no Brasil?

Não. O regulamento de novas raças da CBKC prevê que raça estrangeira não reconhecida pela FCI só entra aqui se já for reconhecida pela entidade nacional filiada à FCI no país de origem. Como o clube maiorquino manteve o próprio livro genealógico fora da estrutura cinófila espanhola, essa condição não se cumpre — e sem ela não há pedigree brasileiro nem ninhada registrada no país.

Qual a diferença entre o ca rater mallorquí e o Terrier Brasileiro (Fox Paulistinha)?

História parecida, situação oposta. O Terrier Brasileiro é reconhecido pela FCI sob o padrão nº 341, Grupo 3, Seção 1, aceito em caráter definitivo em 21 de maio de 2007, com padrão vigente de 14 de maio de 2022; é maior, com machos de 35 a 40 cm e até 10 kg. O maiorquino não tem reconhecimento da FCI, pesa de 3 a 5 kg e é raríssimo fora das Baleares.

O calor e o sol do Brasil são um problema para essa raça?

São o principal ponto de atenção na maior parte do país. A pelagem curta e sem subpelo protege pouco: barriga, focinho, ponta de orelha e áreas brancas queimam com facilidade, e o tricolor é o mais vulnerável. Passeio no início da manhã e depois do pôr do sol, teste do dorso da mão no asfalto, sombra permanente e nunca deixar o cão no carro.

Posso cortar a cauda do filhote, como se fazia antigamente?

Não. A Resolução CFMV nº 877/2008, complementada pela Resolução CFMV nº 1.027/2013, proíbe a caudectomia estética, admitindo o procedimento só com indicação clínica. Além disso, mutilar animal é conduta da Lei de Crimes Ambientais, e a Lei nº 14.064/2020 elevou a pena para reclusão de dois a cinco anos quando a vítima é cão ou gato. Cerca de 20% dos filhotes já nascem sem cauda naturalmente.

Esta raça é adequada para uma família com crianças?

Sim, mas com ressalvas. Eles adoram brincar, mas não toleram tratamento bruto — não é um cachorro que se pode puxar as orelhas. Para famílias com crianças muito pequenas (até 5-6 anos), é melhor supervisionar constantemente a interação.

Eles se dão bem com gatos?

Se o filhote crescer junto com um gatinho, eles serão melhores amigos. Mas se um cão adulto for levado para uma casa onde há um gato, ou vice-versa, podem surgir problemas por causa do instinto de caça. Gato que sai correndo liga o reflexo mesmo em cão acostumado, e hamster, chinchila, coelho anão e aves são presa profissional dessa raça: a solução é separação física, não confiança.

Eles latem muito?

Latem, e é bom entender por quê: em Maiorca o ratero trabalhava em dupla com o pastor maiorquino, e a função dele era avisar quem se aproximava. O latido é o relatório de serviço da raça, não defeito de educação. Dá para conviver em apartamento com treino de encerramento do alerta e controle do gatilho visual pela janela — mas quem espera silêncio absoluto vai se frustrar.

Quanto tempo vive um ca rater mallorquí?

A expectativa razoável é de 12 a 15 anos. As fontes trabalham com faixas como 12 a 16, cerca de 15 ou 12 a 14 anos. Números do tipo “17 anos” valem como casos individuais excepcionais, não como expectativa da raça.

Vídeo sobre a raça
Prós
  • Compacto, bom para apartamento
  • Devotado e carinhoso com a família
  • Ágil, incansável caçador de ratos
  • Guardião vigilante «campainha»
Contras
  • Temperamento nervoso e excitável
  • Propenso a latir
  • Forte instinto de caça (ratos, animais pequenos)
  • Raro fora das Baleares
Comparação com raças similares
Ratonero bodeguero andaluzRateiro de PragaJack russell terrier
Altura35–43 cm20–23 cm25–30 cm
Energia43.54.5
Apartamento3.54.53.5
Iniciantes3.53.53
Perguntas frequentes
Para que o ca rater mallorquí foi criado?
Para eliminar roedores nas propriedades rurais de Maiorca — depósito de grãos, estábulo, moinho, lagar —, daí o nome "rater", de "rata", rato. Também era usado em coelho, com a técnica de empurrar a caça para fora do matagal, e como cão de alerta da casa.
Dá para registrar um ca rater mallorquí na CBKC e tirar pedigree no Brasil?
Não. O regulamento de novas raças da CBKC prevê que raça estrangeira não reconhecida pela FCI só entra aqui se já for reconhecida pela entidade nacional filiada à FCI no país de origem. Como o clube maiorquino manteve o próprio livro genealógico fora da estrutura cinófila espanhola, essa condição não se cumpre — e sem ela não há pedigree brasileiro nem ninhada registrada no país.
Qual a diferença entre o ca rater mallorquí e o Terrier Brasileiro (Fox Paulistinha)?
História parecida, situação oposta. O Terrier Brasileiro é reconhecido pela FCI sob o padrão nº 341, Grupo 3, Seção 1, aceito em caráter definitivo em 21 de maio de 2007, com padrão vigente de 14 de maio de 2022; é maior, com machos de 35 a 40 cm e até 10 kg. O maiorquino não tem reconhecimento da FCI, pesa de 3 a 5 kg e é raríssimo fora das Baleares.
O calor e o sol do Brasil são um problema para essa raça?
São o principal ponto de atenção na maior parte do país. A pelagem curta e sem subpelo protege pouco: barriga, focinho, ponta de orelha e áreas brancas queimam com facilidade, e o tricolor é o mais vulnerável. Passeio no início da manhã e depois do pôr do sol, teste do dorso da mão no asfalto, sombra permanente e nunca deixar o cão no carro.
Posso cortar a cauda do filhote, como se fazia antigamente?
Não. A Resolução CFMV nº 877/2008, complementada pela Resolução CFMV nº 1.027/2013, proíbe a caudectomia estética, admitindo o procedimento só com indicação clínica. Além disso, mutilar animal é conduta da Lei de Crimes Ambientais, e a Lei nº 14.064/2020 elevou a pena para reclusão de dois a cinco anos quando a vítima é cão ou gato. Cerca de 20% dos filhotes já nascem sem cauda naturalmente.
Esta raça é adequada para uma família com crianças?
Sim, mas com ressalvas. Eles adoram brincar, mas não toleram tratamento bruto — não é um cachorro que se pode puxar as orelhas. Para famílias com crianças muito pequenas (até 5-6 anos), é melhor supervisionar constantemente a interação.
Eles se dão bem com gatos?
Se o filhote crescer junto com um gatinho, eles serão melhores amigos. Mas se um cão adulto for levado para uma casa onde há um gato, ou vice-versa, podem surgir problemas por causa do instinto de caça. Gato que sai correndo liga o reflexo mesmo em cão acostumado, e hamster, chinchila, coelho anão e aves são presa profissional dessa raça: a solução é separação física, não confiança.
Eles latem muito?
Latem, e é bom entender por quê: em Maiorca o ratero trabalhava em dupla com o pastor maiorquino, e a função dele era avisar quem se aproximava. O latido é o relatório de serviço da raça, não defeito de educação. Dá para conviver em apartamento com treino de encerramento do alerta e controle do gatilho visual pela janela — mas quem espera silêncio absoluto vai se frustrar.
Quanto tempo vive um ca rater mallorquí?
A expectativa razoável é de 12 a 15 anos. As fontes trabalham com faixas como 12 a 16, cerca de 15 ou 12 a 14 anos. Números do tipo "17 anos" valem como casos individuais excepcionais, não como expectativa da raça.
Fontes

Tipo aborígene baleárico (Club del Ca Rater Mallorquí)

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